O Brasil nunca produziu tanta carne. E nunca comeu tão pouco dela
Safra recorde, consumo interno em queda: 38,5% da carne bovina brasileira agora sai do país. Os dois fatos estão no mesmo relatório — e explicam o preço no balcão.

O Brasil vai produzir uma das maiores safras de carne bovina da sua história em 2026. E cada brasileiro vai comer, em média, 2,4 quilos a menos do que comeu no ano passado. Os dois fatos estão no mesmo relatório do Ministério da Agricultura, em colunas vizinhas — e é na distância entre eles que mora a explicação do preço no açougue.
Em 2017, 22% da carne bovina produzida aqui saía do país. Hoje são 38,5% — quatro em cada dez quilos. O mundo está pagando US$ 5.972 por tonelada, recorde da série histórica, e o boi vai para onde o preço está. Some a isso um rebanho que encolhe desde 2023 e um bezerro que quase dobrou de valor, e o quadro fecha: oferta interna mais curta, demanda externa mais forte, balcão mais caro.
Não é conspiração de açougueiro nem ganância de frigorífico — é a cadeia inteira respondendo a incentivos globais. Para quem produz, o momento é de preço firme e mercado aberto. Para quem consome, é hora de entender que o bife do domingo compete com Xangai e Chicago. O prato é a parte visível da cadeia; o preço também. Quem lê os dois lados da coluna entende o que o balcão está dizendo.
O dia a dia está no feed.
Cortes, mapas da carne, mitos e verdades — a curadoria diária acontece no Instagram.
Seguir @soudacarne