A conta que começa no pasto: 109,7 milhões de hectares esperando recuperação
A Expointer 2026 estreou como a primeira feira carbono neutro do Rio Grande do Sul. Mas o dado que sustenta esse título nasce antes de qualquer boi: no pasto degradado que ainda espera recuperação.

A Expointer 2026 entrou para a história como a primeira feira carbono neutro do Rio Grande do Sul — créditos certificados pela CRVR, chancela da Farsul. É um título vistoso, do tipo que rende manchete. Mas o dado que realmente importa vem antes de qualquer prêmio, antes de qualquer boi entrar na pista: o Brasil tem 109,7 milhões de hectares de pastagem degradada esperando recuperação, segundo levantamento cruzado por RAIZ e FAO.
Pastagem degradada não é pasto ruim por acidente — é solo que perdeu capacidade produtiva por manejo malfeito, compactação ou ausência de reposição de nutrientes. E é também, hoje, a maior alavanca de carbono que o agro brasileiro tem à disposição: recuperar esse solo significa devolver capacidade de captura de carbono numa escala que nenhuma outra tecnologia agrícola isolada alcança.
O programa Caminho Verde, iniciativa que articula setor produtivo e ciência para acelerar essa recuperação, já mapeou 40 milhões de hectares como recuperáveis no curto e médio prazo. É menos da metade do total degradado, mas já é um roteiro concreto — não apenas um diagnóstico. A meta que o Brasil assinou na UNCCD, a convenção da ONU contra a desertificação, mira 250 milhões de hectares recuperados até 2030, somando todos os biomas e usos do solo.
É a mesma conta, sempre: solo cuidado vira carbono capturado, vira pasto mais produtivo, vira pecuária que soma em vez de gastar reputação ambiental. Quem já viu de perto a diferença entre um potreiro degradado e um pasto bem manejado — capim mais denso, solo mais escuro, gado que ganha peso mais rápido — sabe que essa recuperação não é discurso de relatório de sustentabilidade. É rotina de quem lida com a terra todos os dias.
Os números
Pastagem degradada no Brasil — 109,7 milhões de hectares · RAIZ / FAO
Área já mapeada como recuperável — 40 milhões de hectares · programa Caminho Verde
Meta brasileira na UNCCD — 250 milhões de hectares recuperados até 2030
Expointer 2026 — 1ª feira carbono neutro do RS, créditos certificados pela CRVR · chancela Farsul
A carne boa não começa na grelha, já diz o mantra desta página. Ela também não começa no boi. Começa no solo recuperado, anos antes de qualquer churrasqueira ser acesa — numa conta de carbono que a maioria de quem come carne nunca vê. Você sabia que recuperar pastagem é, hoje, a maior alavanca de carbono do agro brasileiro?
Fontes: RAIZ e FAO — levantamento de área de pastagem degradada no Brasil; programa Caminho Verde — mapeamento de área recuperável; UNCCD (Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação) — meta brasileira de restauração de solo até 2030; CRVR e Farsul — certificação de carbono da Expointer 2026.
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